A PANDEMIA DA FELICIDADE DIGITAL

  • Carina Lamas RONCATO
  • Daviane dos Santos CHEGOSKI
  • Eduardo Brock TREVIZOLLI
  • Gabriel Henrique Espiridião GARCIA BACH
  • Gabrielle CANALLI
  • Giovanna Baggio FLORES
  • Milena Marques dos SANTOS
Palavras-chave: Bauman. Felicidade. Filosofia. Redes sociais.

Resumo

Na última década presenciou-se o advento e popularização das redes sociais como espaço digital de convívio. Se, de um lado, as redes servem à conexão afetiva interpessoal pela comunicação instantânea, de outro, o que se constata é que, nesses ambientes virtuais, persevera um ideal de felicidade fundado sobre conteúdo artificialmente produzido pelos usuários. Esse conteúdo é marcado por apresentar a felicidade como sentimento permanente, o que faz segundo racionalidade consumerista, permanentemente gerando e frustrando promessas de satisfação. Diante disso, investiga-se, como objetivo principal esclarecer como o paradigma de felicidade introduzido pelas redes sociais faz que o usuário volte a recorrer a ele e como é possível dissociar-se desse paradigma. A metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica, em que se recorreu à crítica sociológica de Zygmunt Bauman, bem como à exposição e análise das proposições filosóficas sobre felicidade, procurando abranger diferentes escolas de pensamento filosófico em um percurso histórico, e a artigos científicos sobre o tema. A conclusão atingida foi de que a felicidade não está diretamente associada ao consumo e à satisfação pessoal, devendo ser consideradas as relações humanas baseadas em propósito.

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Publicado
24-06-2021
Como Citar
RONCATO, C., CHEGOSKI, D., TREVIZOLLI, E., GARCIA BACH, G. H., CANALLI, G., FLORES, G., & SANTOS, M. (2021). A PANDEMIA DA FELICIDADE DIGITAL. Revista De Direito Da FAE, 3(1), 392 - 417. Recuperado de https://revistadedireito.fae.edu/direito/article/view/84

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