OS LIMITES DA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS NO ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA:

ENTRE OS PRÊMIOS EXTRALEGAIS E O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE COM ANÁLISE DO CASO ALBERTO YOUSSEF

Autores

  • GUSTAVO ALBERT GENTILINI FAE - Centro Universitário
  • MANUELA VIESSER CEQUINEL FAE - Centro Universitário
  • MARIA LAURA CAMARGO FAE - Centro Universitário
  • RAFAELA UEMURA BAGESKI FAE - Centro Universitário
  • CAMILA RODRIGUES FORIGO

DOI:

https://doi.org/10.55388/rdf.v9i1.184

Palavras-chave:

Colaboração premiada. Prêmios extralegais. Legalidade.

Resumo

A colaboração premiada consolidou-se como relevante instrumento no enfrentamento ao crime organizado e à corrupção sistêmica no Brasil, especialmente após a Operação Lava Jato. Contudo, a concessão de benefícios aos colaboradores, em determinadas situações, aparenta extrapolar os limites legalmente estabelecidos, o que suscita questionamentos acerca de sua compatibilidade com o princípio da legalidade, fundamento do Estado Democrático de Direito. O presente trabalho tem como objetivo analisar se as premiações concedidas ao réu colaborador no caso de Alberto Youssef ultrapassaram os limites legais previstos na legislação vigente, com destaque para a observância da Lei nº 12.850/2013 e a eventual prática de acordos extralegais. Adota-se metodologia de natureza qualitativa, com enfoque em pesquisa bibliográfica e documental, compreendendo a análise de normas jurídicas, doutrina e jurisprudência. Conclui-se que a temática demanda aprofundamento acadêmico e jurídico, evidenciando a necessidade de balizas normativas mais claras e rigorosas, aptas a assegurar a segurança jurídica e o respeito ao princípio da legalidade.

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RDF | V. 9 | 2026

Publicado

2026-03-02

Como Citar

GENTILINI, G. A., VIESSER CEQUINEL, M., LAURA CAMARGO, M., UEMURA BAGESKI, R., & RODRIGUES FORIGO, C. (2026). OS LIMITES DA CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS NO ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA:: ENTRE OS PRÊMIOS EXTRALEGAIS E O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE COM ANÁLISE DO CASO ALBERTO YOUSSEF. Revista De Direito Da FAE, 9(1), 217–255. https://doi.org/10.55388/rdf.v9i1.184